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Pela construção de uma visão afrocêntrica na comunicação…

Que todos os santos, pretos e brancos, abençoem o Perfil Azeviche: um universo de beleza! Sejam bem-vindos! Queremos começar esta carta com esta saudação de abertura de caminhos, de boas-vindas e de movimento. Que tudo que aqui for dito encontre passagem, escuta e diálogo. Pedimos à espiritualidade e esperamos que seja de sua  vontade porque é da nossa verdade. No campo ancestral, este é um dos cumprimentos que podem ser feitos; no campo humano, nada mais potente que o simples: olá.

O Perfil Azeviche é um veículo de comunicação preta nascido em Curitiba, Paraná – uma terra de gente que trabalha, cuida, como diz o lema do atual poder executivo estadual, mas nós também vemos “parte” dessas pessoas com a fala de Chico César em Mama África (1995), analogia que vale para todo o território nacional. Além de ser uma terra de gente que trabalha e cuida, o Paraná é uma terra de muita… mas muita… gente preta.

O nome que nos batiza nasce da canção “Negrume da Noite”, lançada em 1989 por Ilê Aiyê, que reafirma a beleza e a força do povo negro como luz que se revela na escuridão. Azeviche é uma pedra negra ancestral. Nós escolhemos o seu nome para este veículo porque representa “parte” da potência que somos: resistência transformada em joia, memória tornada presente; o preto lustroso que se forma da madeira fossilizada e se liga à ancestralidade, à proteção e à memória.

E dizemos “parte” porque a beleza da pedra está em notar que ela não é representada por apenas um formato. O perfil de uma pedra pode ser construído a depender de muitos fatores – clima, tempo, história e território, por exemplo. E, o mais importante, dizemos “parte” porque também podemos ser diamantes, rubis, esmeraldas, safiras… e quantas outras pedras que possuem origens na Terra Mãe.

No Perfil Azeviche, um dos nossos símbolos é o atabaque, um instrumento árabe. Os tambores ligam o humano ao sagrado. É necessário lembrar que: antes mesmo de haver escrita, já havia o som; antes mesmo de existir uma rede social, o mundo já era constituído. No caso deste instrumento potente, há registros de seu uso desde 6.000 a.C. – muito antes de o mundo se dividir em continentes e fronteiras, muito antes de África ser levada à força para outros lugares. Porém, é esse som ancestral que nos moveu a buscar essa voz/caminho digital: afinal, Esú matou um pássaro ontem com uma pedra que só jogou hoje.

E não menos importante, desde já, reconhecemos que o nome escolhido por nós é visto em diversos perfis e projetos – faça uma pesquisa nesta rede social e verá. Contudo, a quem pensar que isso seria falta de originalidade, respondemos também com a sabedoria africana: o conceito de coletividade vem antes da autoria individual. Somos muitos, mas também somos um só.

Do passado ao (afro)futuro(afro), o Perfil Azeviche não surge do nada. Ele ressurge. Na década passada, o Centro Cultural Humaitá já distribuía informativos que circulavam por Curitiba – a capital que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já reconhecia como a mais negra do Sul do Brasil. Hoje, segundo o Censo 2022, mais de 56% da população brasileira se declara preta ou parda. No Paraná, esse número é de aproximadamente 30%, um dado que revela presença, aumento e territorialidade, mas também o desafio da auto identificação e do reconhecimento. Então, por que estamos aqui? Se o IBGE mostra que há tantas pessoas negras no Paraná, quantas outras ainda não se reconhecem como pretas? Por quê? Essas perguntas nos movem.

Diante disso, entendemos que o Perfil Azeviche se (re)fez necessário. É um teletransporte simbólico: do impresso ao digital, do passado à contemporaneidade, da escrita à imagem e ao som simultâneos, com o acréscimo de uma sociedade cada vez mais acelerada, apressada e, porque não, individualista. Na época em que vieram ao mundo, as redes sociais eram embrionárias (perto do espaço social que ocupam hoje); inteligência artificial era algo inimaginável. Fazer comunicação nos tempos presentes se tornou um desafio: o cenário é complexo, delicado; o jornalismo está em descrédito. As pessoas adotam comportamentos cada vez mais únicos e o poder da narrativa singular está cada vez mais forte. E aí entra o questionamento: dentro de uma perspectiva africana, que sociedade é essa em que estamos vivendo?

Mas a gente também tem que reconhecer que vivemos uma explosão (de elementos) afro-paranaenses e afro-brasileiras no século 21: da capoeira ao samba, das religiões de matriz africana aos quilombos, das passarelas afro aos palcos periféricos. De nomes fortes e vários coletivos em várias frentes sociais que vêm a público mostrar a nossa potência. De Foz do Iguaçu a Paranaguá, de Paranavaí a Pato Branco, todos pulsam um mesmo ritmo: o Axé, o Poder, a Força, o Ngúzu, o Aleluia!  Energia em movimento, força vital, expressão de continuidade. É essa energia que guia o Perfil Azeviche, e é por isso que chamamos este texto de Versão 1 de nossa carta – porque toda energia viva se transforma. Seguiremos escrevendo novas versões, sempre que houver algo novo a ser dito, sempre que a nossa ancestralidade abrir outros caminhos e nos permitir seguir por eles.

O Perfil Azeviche é, antes de tudo, um veículo jornalístico. Um espaço para contar e revelar histórias que precisam ser ditas, com compromisso com as políticas públicas, a cidadania e a democracia. Queremos inspirar e empoderar, falar de beleza, autoestima, leveza e potência – mas também enfrentar, com coragem e escuta, os temas que atravessam o cotidiano da população negra neste estado. O Perfil Azeviche (re)nasce para mostrar, com beleza e verdade, o valor de ser quem se é. Para lembrar que somos do povo que tem cor de azeviche – pedra rara, brilho profundo, luz própria. Que ser preto é ser história viva, e que nossa voz não se apaga: ela reverbera, resiste, reluz.

Queremos conectar gerações e mostrar que a beleza da negritude está na pele dos que trilharam o caminho para permitir que o brilho curioso de quem está chegando agora realmente ilumine este mundo. Empoderar nossas crianças é lembrar que o conceito preto não é ausência, mas presença; é movimento, construção, continuidade. Nosso olhar está voltado para todos os que fazem da negritude uma força viva: personalidades públicas e privadas já estão no nosso radar, mas também aquelas pedras preciosas ainda escondidas – pessoas anônimas, quilombolas, capoeiristas, artistas de rua, líderes comunitários, trabalhadores, afro empreendedores, pensadores e sonhadores. Queremos ouvir professores e doutores, mestrandos, mestres griôs e akpalôs, padres, pastores, agentes culturais, músicos, esportistas, cientistas, engenheiros, geógrafos… todos que constroem, com seus saberes e fazeres, um Paraná mais preto e plural.

Convidamos você a dialogar conosco, abrir caminhos, construir pontes e partilhar histórias. Porque a força se multiplica no encontro. E porque, afinal – como dizem Djonga e BK’ – o mundo é nosso!

MISSÃO

Por meio do jornalismo, o Perfil Azeviche busca inspirar e empoderar com histórias reais, conectar gerações afro-paranaenses e afro-brasileiras e enfrentar, com coragem, sensibilidade e escuta, os temas que atravessam o cotidiano do povo preto deste território.

VALORES

  • Coletividade: o “nós” antes do “eu”;
  • Protagonismo afro-descendente;
  • Busca constante por vanguarda e inovação;
  • Respeito máximo pelo sagrado e pela ancestralidade;
  • Conexão viva com África e sua dispersão;
  • Quebra de padrões estéticos e narrativos coloniais.

VISÃO

Ser o principal veículo de mídia jornalística independente negro do Paraná e mostrar a negritude presente nos 399 municípios do estado para o mundo.

 

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CATEGORIAS

INSTITUCIONAL

Perfil Azeviche Paraná | Um universo de beleza | 2024

Perfil Azeviche Paraná Um universo de beleza 2024